Juntei um dinheiro a mais, economizei aqui e ali, entrei no meu Chevy
Impala 1967 que demorei cinco anos para poder encontrar, comprar e
reformar, coloquei minhas coisas no porta malas e fui. Sem destino, sem
paradas. Eu precisava viajar, fugir da realidade, e decidira ir sem
paradeiro. Passei por várias furadas, tive alguns problemas aqui e ali,
mas de tudo o que fiz e passei, com toda a certeza a melhor delas foi
quando cheguei a Cabo Frio. Me hospedei em uma pousada o mais próximo da
praia que consegui, e fui vagar pela orla. Eram oito da noite, a praia
ja estava vazia, com excessão de uns casais afastados e de algumas
pessoas correndo ou caminhando, mas o que me chamou mesmo a atenção foi
um rapaz que tocava violão bem perto da água do mar. Estava sozinho, e
de longe não aparentava ter mais do que 20 anos. Me aproximei com calma,
e percebi que era uma melodia calma e que eu conhecia - ele estava
tocando e cantando Definitely Sure, musica que nunca saia do meu rádio.
Cheguei mais perto, e ele percebeu minha presença e então me olhou nos
olhos, sorriu, e continuou a tocar e cantar. Sentei ao seu lado,
encantada com sua voz, e fiquei ali, apenas observando. Ele parecia ser
ainda mais novo quando de perto, era de um moreno claro com cabelos
escuros e olhos verdes - o que me fez pensar em como a beleza das praias
cariocas refletem em seus habitantes. Estávamos apenas eu e ele
sentados ali, e ele olhava no fundo dos meus olhos como se quisesse
saber o que tocar em seguida para me agradar. Acertou escolhendo I'm
Yours, o que me fez paralisar no estado de êxtase em que eu me
encontrava. Eu havia perdido a noção de tempo e espaço, e sabia que era
capaz de um tempo enorme apenas ali, ouvindo-o e observando-o. As
musicas se seguiram por um período que não sei dizer se era grande ou
pequeno, mas ao som de She Will Be Loved, Sing, Lucky, Bubbly e Lose My
Mind, eu não tinha pressa nenhuma de ir embora. Ele me olhava, sorria, e
fazia algumas caretas que me faziam rir ou ficar com vergonha, e mesmo
não o conhecendo, parecia que eu ja não poderia mais me imaginar sem
ele. Eu não queria ir embora, e enquanto pude, não fui.
domingo, 7 de outubro de 2012
aquele sobre eu te querer
Eu te queria de todas as maneiras. Não sei se era amor, paixão ou
encanto, só sei que eu me perdia naqueles seus olhos azuis como o céu de
um dia sem nuvens. Seus abraços eram os que eu mais ansiava ter, e seu
sorriso, pelo qual eu passava toda a semana sonhado, era definitivamente
o que fazia minha noite valer a pena. Você não me olhava dessa forma -
ao seus olhos, eu era apenas uma amiga com quem você gostava de
conversar e contar várias coisas. De certa forma, era bom, afinal eu
tinha para mim a sua parte mais sincera e pura nas mãos. Mas te ver sem
poder te ter é definitivamente “improvável e impossível”. De qualquer
forma, deixa o tempo.
aquele sobre o seu beijo
Era o seu beijo. Eu sentia minhas mãos formigarem, meu corpo amolecer, e
minha mente explodir em pensamentos. Eram tantos pensamentos, que eu
nem sabia o que se passava, mas sei apenas que que eu poderia passar o
jeito da vida ali. Você era todo delicado no início, como se tivesse
medo de me quebrar, mas logo se animou, e me envolveu na melhor pegada
da minah vida. Você beijava com o corpo todo, e sabia ser safado do
jeito certo. Conseguia me dominar, sem exagerar, e me deixava sem ação,
sendo que a unica coisa que eu podia fazer era concordar com tudo aquilo
e te beijar ainda mais. Você interrompia o beijo com mordidinhas na
minha boca, e eu sorria, porque você ficava lindo demais, com aquela
cara de safado tentando se controlar. Acontecia ali o melhor beijo da
minha vida, e a melhor parte era saber que não seria o único. Com a mão
segurando o meu cabelo, você me puxava cada vez mais para perto de si,
como se fosse seu primeiro beijo depois de muito tempo, como se
esperasse aquilo há muito tempo. E eu adorava.
aquele sobre o que você me faz sentir
Você explora todos os meus extremos. Em uma simples conversa, você
consegue me deixar muito brava, ou muito feliz, extremamente triste ou
completamente ansiosa. Seu sorriso me deixa em extâse e sua cara de
bravo me deixa em estado de nervos, porque você nunca me conta o motivo.
Odeio quando você leva anos para se manifestar em alguma rede social, e
odeio mais ainda quando você está lá e não fala comigo. Uma mensagem
sua me faz pular de alegria, e eu não estou exagerando. Sinceramente,
queria que não fosse assim. Sinto falta de quando eu ia levando, e tanto
faz se daria ou não certo, porque não era importante. Na realidade,
nada era importante. Mas eu sonhei com você, planejei as coisas, e foi
ai que tudo começou a dar errado.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
aquele da mentira
Ela era pequena quando começou com tudo aquilo. O grande VHS não funcionava, e ela sabia que havia sido sua culpa, graças a sua grande preguiça, mas ela não poderia contar. Tinha sete anos, e sabia que o pai ficaria muito bravo se descobrisse o que havia acontecido, então, disse que não fora ela, que fora o seu pequeno vizinho, tambem com sete anos, que tinha quebrado. Os pais acreditaram, é claro, afinal, a pequena menininha toda meiga jamais seria capaz de incriminar alguem sem culpa. Ledo engano. A menina havia contado sua primeira mentira, e de certo modo, a primeira de muitas por vir. Ela vira que a pequena mentirinha havia dado certo e, depois da primeira, nunca mais parou. Mentia por tudo: para se sobressair, para enganar, para não magoar, mentia para os amigos, para os pais, e para si mesma. No começo, sempre dizia a si mesma que aquela mentira que seria contada seria a ultima. Nunca era. Mentia sobre beber, mentia dos locais aonda iria, mentia sobre fatos acontecidos com ela, mentia até mesmo de onde viera. Era um fio de lã, que a menina enrolava sobre si constantemente. Sabia que era errado, sabia do perigo, mas sabia também que era esperta, e não seria pega: nunca fora. Era traiçoeira, meticulosa, e sabia como dizer cada detalhe para parecer verdade. Arrumava álibi, sem o álibi saber que era, conseguia tudo o que queria, e quando não queria mais, descartava como copo de plástico. Criara um mundo onde, mesmo que inconsientemente, todos giravam ao seu redor, e nunca se cansava disso. No fundo, era apenas a pequena menininha que quebrou o VHS e tinha medo do pai descobrir tudo.
aquele sobre indiferença
É horrível não sentir nada. Digo, no sentido emocional é claro. Não há nada pior do que ser indiferente a tudo, e apesar de muitas pessoas acharem isso bom, argumentando em como é bom não sofrer por amor e tudo mais, a indiferença é a pior coisa que existe. Imagine-se vendo um filme bem triste, como Marley e Eu, ou Um Amor Para Recordar; agora, reviva em sua mente o quão triste foi ver o Marley morrer, ou ver aquela garota por quem ele estava apaixonado, partir. Certamente é triste, mas pense então em alguém que vê aquilo, mas não chora, como se fosse normal. Observar tudo de fora, e não sentir nenhuma compaixão por nada, não se estressar por algo, e nem mesmo sentir vontade de rir ou de chorar.
O sorriso ou a lágrima te levam a algum lugar, te dão alguma posição sobre algo, mas a indiferença não. Ela é amarga, fria, e faz com que cada passo, cada olhar, seja em vão. Acredite, não é bom. Se você sente, se você ri, chora, grita, se estressa ou ama, acredite, você tem um incrível dom dentro de si.
O sorriso ou a lágrima te levam a algum lugar, te dão alguma posição sobre algo, mas a indiferença não. Ela é amarga, fria, e faz com que cada passo, cada olhar, seja em vão. Acredite, não é bom. Se você sente, se você ri, chora, grita, se estressa ou ama, acredite, você tem um incrível dom dentro de si.
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