Ela era pequena quando começou com tudo aquilo. O grande VHS não funcionava, e ela sabia que havia sido sua culpa, graças a sua grande preguiça, mas ela não poderia contar. Tinha sete anos, e sabia que o pai ficaria muito bravo se descobrisse o que havia acontecido, então, disse que não fora ela, que fora o seu pequeno vizinho, tambem com sete anos, que tinha quebrado. Os pais acreditaram, é claro, afinal, a pequena menininha toda meiga jamais seria capaz de incriminar alguem sem culpa. Ledo engano. A menina havia contado sua primeira mentira, e de certo modo, a primeira de muitas por vir. Ela vira que a pequena mentirinha havia dado certo e, depois da primeira, nunca mais parou. Mentia por tudo: para se sobressair, para enganar, para não magoar, mentia para os amigos, para os pais, e para si mesma. No começo, sempre dizia a si mesma que aquela mentira que seria contada seria a ultima. Nunca era. Mentia sobre beber, mentia dos locais aonda iria, mentia sobre fatos acontecidos com ela, mentia até mesmo de onde viera. Era um fio de lã, que a menina enrolava sobre si constantemente. Sabia que era errado, sabia do perigo, mas sabia também que era esperta, e não seria pega: nunca fora. Era traiçoeira, meticulosa, e sabia como dizer cada detalhe para parecer verdade. Arrumava álibi, sem o álibi saber que era, conseguia tudo o que queria, e quando não queria mais, descartava como copo de plástico. Criara um mundo onde, mesmo que inconsientemente, todos giravam ao seu redor, e nunca se cansava disso. No fundo, era apenas a pequena menininha que quebrou o VHS e tinha medo do pai descobrir tudo.
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