domingo, 7 de outubro de 2012

aquele do violão na praia

Juntei um dinheiro a mais, economizei aqui e ali, entrei no meu Chevy Impala 1967 que demorei cinco anos para poder encontrar, comprar e reformar, coloquei minhas coisas no porta malas e fui. Sem destino, sem paradas. Eu precisava viajar, fugir da realidade, e decidira ir sem paradeiro. Passei por várias furadas, tive alguns problemas aqui e ali, mas de tudo o que fiz e passei, com toda a certeza a melhor delas foi quando cheguei a Cabo Frio. Me hospedei em uma pousada o mais próximo da praia que consegui, e fui vagar pela orla. Eram oito da noite, a praia ja estava vazia, com excessão de uns casais afastados e de algumas pessoas correndo ou caminhando, mas o que me chamou mesmo a atenção foi um rapaz que tocava violão bem perto da água do mar. Estava sozinho, e de longe não aparentava ter mais do que 20 anos. Me aproximei com calma, e percebi que era uma melodia calma e que eu conhecia - ele estava tocando e cantando Definitely Sure, musica que nunca saia do meu rádio. Cheguei mais perto, e ele percebeu minha presença e então me olhou nos olhos, sorriu, e continuou a tocar e cantar. Sentei ao seu lado, encantada com sua voz, e fiquei ali, apenas observando. Ele parecia ser ainda mais novo quando de perto, era de um moreno claro com cabelos escuros e olhos verdes - o que me fez pensar em como a beleza das praias cariocas refletem em seus habitantes. Estávamos apenas eu e ele sentados ali, e ele olhava no fundo dos meus olhos como se quisesse saber o que tocar em seguida para me agradar. Acertou escolhendo I'm Yours, o que me fez paralisar no estado de êxtase em que eu me encontrava. Eu havia perdido a noção de tempo e espaço, e sabia que era capaz de um tempo enorme apenas ali, ouvindo-o e observando-o. As musicas se seguiram por um período que não sei dizer se era grande ou pequeno, mas ao som de She Will Be Loved, Sing, Lucky, Bubbly e Lose My Mind, eu não tinha pressa nenhuma de ir embora. Ele me olhava, sorria, e fazia algumas caretas que me faziam rir ou ficar com vergonha, e mesmo não o conhecendo, parecia que eu ja não poderia mais me imaginar sem ele. Eu não queria ir embora, e enquanto pude, não fui.

aquele sobre eu te querer

Eu te queria de todas as maneiras. Não sei se era amor, paixão ou encanto, só sei que eu me perdia naqueles seus olhos azuis como o céu de um dia sem nuvens. Seus abraços eram os que eu mais ansiava ter, e seu sorriso, pelo qual eu passava toda a semana sonhado, era definitivamente o que fazia minha noite valer a pena. Você não me olhava dessa forma - ao seus olhos, eu era apenas uma amiga com quem você gostava de conversar e contar várias coisas. De certa forma, era bom, afinal eu tinha para mim a sua parte mais sincera e pura nas mãos. Mas te ver sem poder te ter é definitivamente “improvável e impossível”. De qualquer forma, deixa o tempo.

aquele sobre o seu beijo

Era o seu beijo. Eu sentia minhas mãos formigarem, meu corpo amolecer, e minha mente explodir em pensamentos. Eram tantos pensamentos, que eu nem sabia o que se passava, mas sei apenas que que eu poderia passar o jeito da vida ali. Você era todo delicado no início, como se tivesse medo de me quebrar, mas logo se animou, e me envolveu na melhor pegada da minah vida. Você beijava com o corpo todo, e sabia ser safado do jeito certo. Conseguia me dominar, sem exagerar, e me deixava sem ação, sendo que a unica coisa que eu podia fazer era concordar com tudo aquilo e te beijar ainda mais. Você interrompia o beijo com mordidinhas na minha boca, e eu sorria, porque você ficava lindo demais, com aquela cara de safado tentando se controlar. Acontecia ali o melhor beijo da minha vida, e a melhor parte era saber que não seria o único. Com a mão segurando o meu cabelo, você me puxava cada vez mais para perto de si, como se fosse seu primeiro beijo depois de muito tempo, como se esperasse aquilo há muito tempo. E eu adorava.

aquele sobre o que você me faz sentir

Você explora todos os meus extremos. Em uma simples conversa, você consegue me deixar muito brava, ou muito feliz, extremamente triste ou completamente ansiosa. Seu sorriso me deixa em extâse e sua cara de bravo me deixa em estado de nervos, porque você nunca me conta o motivo. Odeio quando você leva anos para se manifestar em alguma rede social, e odeio mais ainda quando você está lá e não fala comigo. Uma mensagem sua me faz pular de alegria, e eu não estou exagerando. Sinceramente, queria que não fosse assim. Sinto falta de quando eu ia levando, e tanto faz se daria ou não certo, porque não era importante. Na realidade, nada era importante. Mas eu sonhei com você, planejei as coisas, e foi ai que tudo começou a dar errado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

aquele da mentira

Ela era pequena quando começou com tudo aquilo. O grande VHS não funcionava, e ela sabia que havia sido sua culpa, graças a sua grande preguiça, mas ela não poderia contar. Tinha sete anos, e sabia que o pai ficaria muito bravo se descobrisse o que havia acontecido, então, disse que não fora ela, que fora o seu pequeno vizinho, tambem com sete anos, que tinha quebrado. Os pais acreditaram, é claro, afinal, a pequena menininha toda meiga jamais seria capaz de incriminar alguem sem culpa. Ledo engano. A menina havia contado sua primeira mentira, e de certo modo, a primeira de muitas por vir. Ela vira que a pequena mentirinha havia dado certo e, depois da primeira, nunca mais parou. Mentia por tudo: para se sobressair, para enganar, para não magoar, mentia para os amigos, para os pais, e para si mesma. No começo, sempre dizia a si mesma que aquela mentira que seria contada seria a ultima. Nunca era. Mentia sobre beber, mentia dos locais aonda iria, mentia sobre fatos acontecidos com ela, mentia até mesmo de onde viera. Era um fio de lã, que a menina enrolava sobre si constantemente. Sabia que era errado, sabia do perigo, mas sabia também que era esperta, e não seria pega: nunca fora. Era traiçoeira, meticulosa, e sabia como dizer cada detalhe para parecer verdade. Arrumava álibi, sem o álibi saber que era, conseguia tudo o que queria, e quando não queria mais, descartava como copo de plástico. Criara um mundo onde, mesmo que inconsientemente, todos giravam ao seu redor, e nunca se cansava disso. No fundo, era apenas a pequena menininha que quebrou o VHS e tinha medo do pai descobrir tudo. 

aquele sobre indiferença

É horrível não sentir nada. Digo, no sentido emocional é claro. Não há nada pior do que ser indiferente a tudo, e apesar de muitas pessoas acharem isso bom, argumentando em como é bom não sofrer por amor e tudo mais, a indiferença é a pior coisa que existe. Imagine-se vendo um filme bem triste, como Marley e Eu, ou Um Amor Para Recordar; agora, reviva em sua mente o quão triste foi ver o Marley morrer, ou ver aquela garota por quem ele estava apaixonado, partir. Certamente é triste, mas pense então em alguém que vê aquilo, mas não chora, como se fosse normal. Observar tudo de fora, e não sentir nenhuma compaixão por nada, não se estressar por algo, e nem mesmo sentir vontade de rir ou de chorar.
O sorriso ou a lágrima te levam a algum lugar, te dão alguma posição sobre algo, mas a indiferença não. Ela é amarga, fria, e faz com que cada passo, cada olhar, seja em vão. Acredite, não é bom. Se você sente, se você ri, chora, grita, se estressa ou ama, acredite, você tem um incrível dom dentro de si.

sábado, 29 de setembro de 2012

aquele do casal de velhinhos

Desde que mudei de cidade, acostumei-me a acordar cedo, por volta das seis da manhã e caminhar na areia da praia. Rio de Janeiro é outra cidade pela manhã, tão diferente que chega a parecer estranha. É calma, tranquila e o melhor lugar para se pensar. E eu partia cedo para minha caminhada e sempre encontrava um casal de velhinhos todo dia sentados em um banco próximo à barraca de água de coco que ainda se encontrava fechada. Ele estava sempre abraçado a ela e não conversavam, mas eu podia ver o sorriso de cada um. Ela ficava de olhos de fechados, mas era nítido que só fazia aquilo para apreciar ainda mais o momento, enquanto ele sempre me via e me cumprimentava com um aceno de cabeça, mas com toda calma para que ela não se incomodasse. Via aquela cena todos os dias, e de certa forma mexia comigo, porque me imaginara lá, com meu marido, daqui há cinquenta ou sessenta anos - no fundo, desejava chegar aquela idade apaixonada daquele jeito. Isso se repitiu por cerca de um ano e meio, até que certo dia, lá estava o senhor, mas não sua mulher. Ele tinha um olhar melancólico, mas sorria, como que conformado. Estranhei, afinal, em todo aquele tempo, isso nunca ocorrera. Resolvi perguntar.
Me aproximei dele, e pude ver que uma lágrima escorria calmamente de seus olhos, mas o sorriso ainda estava lá. Questionei porque ele estava sozinho, afinal nunca havia o visto sem ela. Mais uma lágrima escorreu. Ela havia morrido, sofria de uma doença terminal descoberta há dois anos, e desde então, ele resolvera realizar todos seus ultimos desejos. Eles haviam se conhecido naquela praia, há cinquenta anos, quando ele derrubou toda a água de coco que ela tinha. Eu ja me sentia mal por ter perguntado, mas questionei que, mesmo com tudo aquilo, ele ainda sorria, e como conseguia. Ele sorriu ainda mais, e com toda paciencia, disse que sabia que aquilo iria acontecer, e em todo aquele tempo, ele nunca se arrependeu em nenhum momento da escolha de passar toda a vida dele ao lado dela. Sorria por saber que fizera da vida dela algo muito feliz, e ela a dele. Ele me repetiu as ultimas palavras dela, que foram "Obrigada por fazer da minha vida um eterno amanhecer ensolarado".

aquele da primeira tatuagem

Lembro de nós dois andando pelo centro de mãos dadas, eu ria, mas estava nervosa, enquanto você gargalhava da minha cara de assustada e das minhas mãos frias. Depois de tanto escolher, havia decidido minha tatuagem, e quando te disse isso, você fez questão de me acompanhar - não só pelo medo, mas queria garantir que eu não iria pular fora na ultima hora. E fez bem, porque todo aquele trajeto do meu pequeno apartamento onde havíamos dormido até o estúdio daquele seu amigo maluco mas muito legal teriam me feito desistir. Então você segurava a minha mão bem firme, e eu sentia que você estaria ali, senão para sempre, por um bom tempo - tempo mais do que suficiente. Eu tinha decidido por uma âncora na coxa, e você concordava com tudo o que eu dizia, mesmo insistindo para que eu fizesse algo como uma bruxa ou uma caveira. Chegou até a mencionar o desenho de um palhaço, mas mudou de ideia tão rapido quanto a escolheu, afinal eu morria de medo de palhaços.
Depois de uns quinze minutos, chegamos ao estudio, comigo tremendo de medo e você rindo em alto e bom som, como se quisesse mostrar a todos que eu era medrosa. Entramos e seu amigo todo estranho nos esperava, usando uma camiseta do nirvana, com a cabeça raspada e com seis piercings apenas no rosto, o que me fazia ficar imaginando o quanto mais estariam espalhados pelo corpo daquele homem alto que você se referia como "tyson". Me perguntava se isso era um nome ou apelido, mas pela cicatriz dele no braço esquerdo, que ia do ombro até o cotovelo, deduzi que seria apenas um apelido. Sentei-me na cadeira e estiquei as pernas enquanto você puxava uma cadeira e se sentava ao meu lado, ainda segurando e acariciando minha mão. "Tyson" percebeu claramente que eu estava assustada, então colocou uma musica para acalmar o ambiente. Eu nunca havia ouvido aquelas musicas, mas com certeza gostaria de voltar lá e perguntar quais os intérpretes daquela melodia tão boa que fazia com que você tentasse acompanhar a batida com os pés no chão. A agulha se aproximou da minha pele, e um arrepio de medo me subiu a espinha, fazendo você segurar mais forte minha mão e acariciar meus cabelo bagunçados. Não doia, e eu percebera que era verdade o que você vinha me falando a meses. Nunca entendi como você tinha tanta coragem de ter aquele ceifador nas costas e aquela caveira no peito, mas agora eu percebia que nem era tão ruim assim - era uma dorzinha mínima, quase que como uma coceira ou um pequeno choque, mas que acabava se tornando até mesmo boa. O tatuador maluco me dizia que eu havia escolhido bem o lugar para começar a fazer tatuagens, porque não passava por nenhum osso, e eu agradecia internamente por meu desejo de fazer tatuagens em lugares um pouco diferentes. Foram quase três horas fazendo aquilo, mas havia ficado linda, e foi quando comecei a me arrepender de não ter feito antes. Voltamos para casa, e eu não cansava de tentar traduzir para você o que eu sentia, mas você não ligava que eu falasse demais, nem um pouco na verdade - você só sorria, concordava, e por fim, me interrompeu com um dos seus melhores beijos, me fazendo esquecer de tudo, e disse que tínhamos que comemorar. Concordei.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

aquele sobre a lua

A madrugada é, definitivamente, o melhor horário do dia. Me agrada demais levantar as três ou quatro horas e abrir a janela para observar. Frio ou calor, tudo se torna tão intenso à luz da lua e das luzes da cidade, que me faz viajar e flutuar. É bom ter aquele momento para pensar, nem que seja por alguns minutos, antes de algo estranho atrapalhar - um vizinho brigando ou alguma batida de carro. As madrugadas de lua cheia tem um toque especial, como comer um chocolate com uma pequena pimenta ao centro para completar o sabor, e tudo aquilo parece que não se incomodaria de durar para sempre e garanto que, se pudesse, pediriam para que o tempo, se não parasse, andasse muito mais devagar, apenas para que eles pudesse embelezar a noite um pouco mais. Minha janela do 5º andar não é a mais alta, mas é o suficiente para levar minha mente ás alturas e me fazer desejar ser um pássaro - ou mesmo uma pequena abelha - e, mesmo que por alguns minutos, voar de acordo com o vento, Deixar que ele me conduzisse à sua vontade e me mostrasse o que ele tem de melhor, o que eu tenho grande expectativa de que não é pouco.
As luzes da cidade ditam sua própria melodia, e musica alguma do mundo poderia compor sinfonia melhor para acompanhar aquele momento. É um som calmo e intenso, que consegue ser perfeito para cada ouvido que fica para o escutar. E são justamente esses detalhes que me agradam - a simplicidade em si me agrada demais. É magico ver aquela pequena abelha retirar o pólen da flor para carregar até sua colméia, ou observar os pássaros ao raiar do dia indo para o sul, e ao entardecer, voltando para norte. Talvez se seguíssemos isso, talvez se as pessoas se importassem com os detalhes de vez em quando, talvez, e apenas talvez, o mundo pudesse ser um pouco melhor para elas mesmas.

aquele do café

Era uma cena idiota - e eu sei disso porque você ria - mas meu sorriso bobo fazendo café na cafeteira nova era como o de uma criança escolhendo um brinquedo novo. Você ria da cena, e ria ainda mais quando se lembrava de toda a birra que eu fiz por aquela cafeteira - foram semanas te pedindo e te arrastando quase todo dia à loja para tentar te convencer. Você dizia que seria inútil, que poderíamos muito bem fazer café normalmente, o que significaria ir todo dia até a cafeteria da esquina e comprar um expresso e um pingado, porque nenhum de nós sabia fazer café em um coador. Eu emburrava e dizia que seria melhor termos uma cafeteira, que eu aprenderia a usar e a fazer café, e poderíamos ficar mais tempo na cama, em vez de ter que acordar todo dia vinte minutos antes para poder comprar. Você dizia que iria pensar, e eu insistia - e me encantava com seu rosto de bravo quando eu falava que teria que ser vermelha. Era um encanto você reclamando que, além de eu querer uma cafeteira, ela teria que ser vermelha. Então um dia, quando eu acordei de manhã - a propósito, vinte minutos mais cedo do que o necessário para comprar café, lá estava ela: a cafeteira, e você do lado, fingindo estar emburrado, mas eu podia perceber seus olhos brilhando por notar meu sorriso. Havia sido uma surpresa e eu havia amado. Podia ver em seus olhos a intriga, como se me perguntassem “Como você pode ficar tão feliz por algo tão simples?”. Eu não precisaria de uma cafeteira para sorrir todas as manhãs, e não iria emburrada para a padaria todos os dias porque ele estava comigo, e isso era mágico. A cafeteira era apenas um sonho - antigo e infantil, por sinal - mas que mesmo assim, mesmo sendo vago, ele havia realizado. Havia percebido que era, de certo modo, importante para mim - além, é claro, de saber da minha incrível paixão por café. Você sabia meus tipos de café preferido, e sabia qual era o certo pra cada humor meu. E naquela manhã, eu sorria feito boba, e preparava café para nós dois, enquando você ria, e me dizia a importância de comprarmos um daqueles grills que passam na tevê. Eu discordava, dizia que era inútil, e você me apresentava inúmeros argumentos sobre a importância de um grill. E, de certa forma, eu sabia que teríamos um grill, porque eu compraria e aprenderia a usar, mesmo que meses seguintes você se arrependesse.

aquele da praia

Eu poderia rir daquilo por semanas, e provavelmente o faria, mas seria apenas porque te amo. Seu olhar brilhante, seu sorriso torto e sua cara de felicidade quando viu o mar pela primeira vez talvez foi a coisa mais ilária e mágica que eu ja havia visto. Você nascera no campo, em meio a hortas, pomares e riachos, ajudava seu pai com o gado e tinha um pintinho de estimação - que você se assustou quando começou a crescer (foi sua mãe que me disse uma vez). O mais longe que você havia ido, pelo o que havia me contado, era a cidade onde morávamos, a qual você demorou tempos para se acostumar e não dizer mais "cidade grande". Morávamos a uns 100 km da praia, e mesmo depois de quinze anos que você havia se mudado da fazenda, nunca havia visto o mar, então decidi que iríamos até a praia naquele final de semana. Deixei tudo arrumado e te acordei de madrugada porque pensei que seria perfeito te apresentar ao mar em meio ao amanhecer. Você acordou resmungando, reclamando e dizendo que estava cedo demais e frio demais, mas aceitou e dormiu no banco do carro - e roncou muito, a propósito. Chegamos e o sol ainda não aparecia, mas o dia começava a clarear. Te acordei e você desceu do carro ainda sonolento - talvez por isso não teve nenhuma reação a princípio, mas ai você percebeu onde estava. Eu estendia uma toalha de piquenique no chão enquanto pegava cobertores para nós quando vi você entrando no meio daquele mar gélido, mas sem se importar com a temperatura. Você pulava para todo lado e de longe podia ver seu sorriso de orelha a orelha - e você jogava água pra todo lado, mergulhava como um nadador profissional e voltava, ainda maravilhado. Eu me sentei para ver aquela cena, e logo você saiu da água, tremendo, e veio em minha direção em busca de uma toalha, roupas secas e um cobertor. Por sorte, eu havia planejado que entraríamos na água, apenas não tinha imaginado que seria tão rápido, então te ajudei a se secar, te dei outra roupa e fomos ver juntos o nascer do sol, enrolados em um enorme cobertor. Você tremia e se sentia envergonhado por ter feito aquilo, mas eu não ligava, afinal você conseguia ficar lindo até mesmo daquele jeito - na verdade, você ficava lindo de todos os jeitos. Então te abracei pra te esquentar, e em silêncio, vimos aquele perfeito nascer do sol, fato que você me lembra e me agradece até hoje. E desde então, fazemos isso todos os finais de semana: pegamos o carro bem cedo, vamos até a praia, vemos o sol nascer, e brincamos naquela água imensamente gelada até resolvermos ir embora, independente da hora.