Eu não sei. Talvez se minha professora de redação me visse começando um texto dessa forma, com toda a certeza me daria um sermão formal e épico de cerca de meia hora sobre não poder iniciar uma dissertação desse jeito. Eu daria um jeito de ignorá-la e de convencê-la de que não é nada demais e de que estou certa. Ela provavelmente aceitaria, porque provavelmente ficaria confusa demais para discutir sobre isso. Mas enfim, definitivamente não sei. Há dias que tento escrever algo produtivo, e a coisa mais interessante que sai daqui é uma receita de como fazer um simples miojo se tornar um manjar dos deuses, e creio eu que a quantidade de formas de se fazer miojo que sei me dariam um diploma de gastronomia. E até que eu termine tudo o que enrolarei dezenas de linhas para dizer, duas ou três canecas de cappuccino serão degustadas rapidamente e algumas dezenas de musicas serão ouvidas sem nenhuma atenção. E tudo isso feito na madrugada de um domingo, onde a grande maioria de pessoas estaria em algum lugar legal, todo arrumado, se divertindo, rindo e abusando, mas creio que estou velha demais para isso. Talvez velha não seja o termo correto, mas cansada. Imagine comigo, todas essas pessoas fazendo as mesmas coisas, repetidas vezes, em intervalos de tempo regulares. Porém, o aconchego do meu cobertor de zebra recém adquirido me parece mais interessante. Essas são aquelas tais horas filosóficas em que Clarice e Caio se tornam colegas e o bater de asas daquele mosquito chato que te atrapalha o sono se torna importante e com algum significado que mudará o rumo da sua vida. Você se torna monge, filósofo, psicólogo, arrisca de cantor, compositor, descobre musicas novas, bandas novas, jogos novos e até mesmo pessoas novas. Forma teorias sobre o início e o fim do mundo, sobre a composição da matéria e tenta entender como o cara descobriu o número de avogrado. Na realidade, eu me peguei agora pensando na tal musica “Maionese" e sentindo saudades do planeta Xuxa, mas isso é normal. Sinto saudades de diversas coisas, de situações, de pessoas, de momentos, de comidas. Sinto falta das coisas como eram, mas o clichê de que nada dura para sempre é fato real, e a opção “aprender a conviver com isso" deve ser repetidamente ativada durante a vida. Por algum defeito de fabricação ou falta de técnica, eu tenho sérios problemas quanto a isso, e aparentemente esse botão eu não consigo apertar. Acontece as vezes, cada qual com sua cruz. Mas fique tranquilo, estou ciente que não sou a única com problemas, e que existem pessoas com problemas piores que o meu, mas problemas são problemas. E do começo desse texto pra cá, tudo o que fiz foi finalizar uma garrafa de Coca-Cola e comer algumas esfirras, ou seja, ja retirei qualquer possibilidade de cappuccino de cena. Porém café, fique tranquilo, eu ainda te amo. Amo. Ta ai uma palavra que não se pode usar quando se refere a mim. Dizer que me ama sem dúvidas é um dos maiores equívocos que alguém poderia cometer.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
aquele sobre conselhos
Sabe aqueles conselhos de bar? Aqueles conselhos rasgados e amarelados, aqueles básicos e simples, fáceis de dizer a qualquer hora. Se os dividirmos, uma boa parte contará com o clichê “siga em frente". Outro tanto iria se referir a “você é melhor do que tudo isso" e alguma parte sobra para incluir o bom e velho “apenas ignore, não se importe, será melhor". São como regras para serem ditas a alguém que aparentemente precisa ouvir isso. E o outro lado, aquele que precisa de palavras que levem a atitudes, apenas se compadece da vã tentativa de ajuda com um sorriso amarelado ou um fraco obrigado. O outro lado, o que não está bem, sabe que dos clichês favoritos, nenhum deles surtirá o efeito que se deseja. O ‘siga em frente’ te pede para que esqueça, releve, e continue. Mas se toda forma, se fosse possível e simples seguir em frente, de certo o outro lado já o teria feito e, no mínimo, para que se sinta algo, simplesmente esquecer não é uma opção em aberto. O tanto de ‘você é melhor do que tudo isso’ apenas lembra o outro lado de que não, ele não é melhor, afinal, ele está ali todo perturbado, e se realmente ele fosse melhor do que quer que seja tudo isso, ele provavelmente não teria estragado tudo ou não estaria naquele estado. E de todos, o ‘apenas ignore, não se importe, será melhor’ é o que menos deve ser levado a sério. Afinal, calculando que a pessoa realmente consiga a proeza de aprender a ignorar, descobrirá um sentimento novo chamado indiferença, e uma vez utilizada e aprovada, é difícil de ser substituída pela compaixão novamente. A indiferença molda a realidade até que ela se pareça uma coisa que não necessita de ação externa, e portanto, não precisa de nós. Ela se infiltra em seus neurônios mais afastados e te domina por completo. Afeta sua visão, sua audição, seu tato e te transforma. E de todos seus malefícios, o pior é que ela machuca. E essa dor é uma dor diferente, uma dor que não se expõe, uma dor calada e sua, apenas sua. Quando a indiferença vem, deve-se saber que com ela, sofre-se sozinho.
aquele sobre o mundo
"Era um lugar legal, ‘maneiro e bacana’ diria meu pai. Ruas entrelaçadas faziam com que eu me perdesse na visão e de fato, não consegui acompanhar com os olhos o pequeno gato que se espreitava pela ruela vazia. Droga, era um lindo gato. Eu talvez precisasse de um gato, andava solitária e quem sabe uma vida mais simples para lidar me fosse útil. Chamaria Vibe, um amigo meu me indicou esse nome, ele diz que gosta de entender a vibe das coisas e decidiu ter a sua própria quando pegou da rua um pequeno cachorro fedido e sujo e deu-lhe esse nome. Boa história essa dele, não tenho uma dessa para contar. É uma pena, mas estamos atrás de histórias. Minhas histórias, sendo feitas. Talvez seja a hora de mudar, fazer história, nem mesmo que seja uma HQ. Não que seja má ideia, quem sabe fosse uma HQ colecionável sabe? Daquelas raras em que pessoas se arriscam a comprar até mesmo no Mercado Livre. Seria interessante ser importante, mas talvez fosse uma HQ triste, apenas para mostrar que quadrinhos podem ser reais. Mas talvez seja para isso que eles funcionem, para acabar um pouco com a realidade, tão estranhamente assustadora e relativamente chata. Sim, chata, entendiante, possessiva e duradoura demais para o meu gosto. Prefiro coisas mais rápidas, com exceções de algumas coisas é claro. Mas não sei, talvez eu estivesse errada, e talvez esse tal planeta não fosse esse monstro do armário que eu tanto imaginei. Pedir a uma criança que te explique o mundo talvez seja lindo e verdadeiro, mas inaplicável aos dias de hoje. Pedir a um adulto é como sentir tiros de fuzil em sua orelha, baseando que ele só dirá tragédias Então, pedi a alguns idosos. A visão da vida só se chega por completo quando se viveu, então, não seriam drásticos demais e nem rasos demais. E me disseram tantas coisas bizarras que tive que tornar a pensar uma, duas vezes se aquilo era realmente necessário. Seria o mundo tudo aquilo? Acreditar parecia a unica opção diante dos fatos. Pessoas comuns, seja qual for sua definição disso, talvez levariam alguns dias para digerir tanta informação e, se alguma sanidade os atingisse na cabeça, de fato fugiriam de tudo, decidiriam que aquilo era coisa demais. Mas que merda, eu não consigo ser comum. "
quinta-feira, 18 de julho de 2013
aquele sobre o cara chato
Era uma vez João. João era um cara legal, extrovertido e animado. Todos gostavam de João. Todos queriam ser João. Todos eram amigos de João. Até que então, do nada, todos passaram a odiar João. João se tornou chato, beirava o insuportável, era o que diziam para ele. Eles já não queriam mais ser João, eles agora queriam ser Roberto. Roberto era um cara legal, sempre foi amigo de João, mas agora, Roberto não queria mais andar perto de um cara chato igual João. Roberto se tornou amigo de Manoel. Manoel era na sua, nunca opinava sobre ninguém. Manoel é que era legal, não mais Roberto. Roberto falava demais, só pensava idiotices, era o que diziam para ele. Manoel era misterioso, inteligente. Manoel não queria alguém que falasse demais perto dele e parou de andar com Roberto. Manoel sentava ao lado de Pedro. Pedro era esperto, bom esportista. Pedro era legal, e Manoel se tornou chato, já que não falava com ninguém, tinha mistérios demais e ninguém queria descobrir, era o que diziam para ele. Manoel se encolheu até sumir da vista de todos. Pedro era ótimo nos esportes. Até que surge Marcelo. Marcelo era bom esportista e bom aluno, só tirava notas altas. Ninguém queria mais ficar perto de alguém que tirava notas baixas na escola. Pedro era burro, era o que diziam para ele. Marcelo é que era legal. Marcelo tirava tantas notas altas e era tão bom esportista que adorava jogar na cara de todos o quão melhor ele era. E então, eis que surge Matheus. Matheus era melhor que Marcelo, e não ficava se gabando disso. Ninguém mais queria ser amigo de Marcelo, todos seguiam apenas Matheus. Matheus era tão legal que ficou amigo de João, de Roberto, de Manoel, de Pedro e de Marcelo. Eles ficaram tão felizes de serem legais novamente que excluíram Matheus. Todos seguiam eles, menos o Matheus. Todos eram amigos deles, menos de Matheus. Todos queriam ser eles, mas não queriam ser Matheus. Então surge Clara, que nada tem a ver com a história, ensina Matheus a mandar todos se foderem e some novamente da história. Matheus faz o que aprende, e vive feliz. Parabéns Matheus.
aquele do vestido vermelho
Camisa listrada de azul e branco jogada ao chão, e logo do lado a camisa social que ela usava por cima do vestido. Os sapatos, caros louboutins, se perderam logo que a porta do apartamento foi fechada e a maquiagem ja não importava. O vestido estava na beira da cama quase caindo e a calça dele acabara de voar e parar em cima de uma cadeira no canto. O sutiã era desabotoado ao mesmo tempo em que ele tirava sua calcinha, e ela fazia de tudo para que isso ocorresse o mais rápido possível. Quanto a cueca dele, ela nem precisou se preocupar - ele ja havia feito o trabalho de tirá-la. A noite terminara como esperado, naquele quarto que ela ja tanto conhecia e esporadicamente visitava. E quando amanhecesse, ela juntaria todas suas peças de roupas jogadas, se vestiria rapidamente na sala e sairia antes que ele acordasse, deixando apenas um bilhete sobre a mesa da cozinha, como fazia sempre. Encontraria um papel de anotações ao lado do telefone e uma caneta na bolsa bagunçada de universitário dele, e escreveria “Fique bem, meu bem", logo em seguida daria um beijo no pequeno papel, apenas para que ele ficasse com sua marca de batom. Ele sorriria daquilo, pegaria o papel e o colocaria junto com todos os outros que ficavam escondidos na gaveta de meias. Nunca haviam trocado numero de telefone ou rede social, mas o destino tinha uma maneira engraçada de os mantê-los juntos.
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