"Era um lugar legal, ‘maneiro e bacana’ diria meu pai. Ruas entrelaçadas faziam com que eu me perdesse na visão e de fato, não consegui acompanhar com os olhos o pequeno gato que se espreitava pela ruela vazia. Droga, era um lindo gato. Eu talvez precisasse de um gato, andava solitária e quem sabe uma vida mais simples para lidar me fosse útil. Chamaria Vibe, um amigo meu me indicou esse nome, ele diz que gosta de entender a vibe das coisas e decidiu ter a sua própria quando pegou da rua um pequeno cachorro fedido e sujo e deu-lhe esse nome. Boa história essa dele, não tenho uma dessa para contar. É uma pena, mas estamos atrás de histórias. Minhas histórias, sendo feitas. Talvez seja a hora de mudar, fazer história, nem mesmo que seja uma HQ. Não que seja má ideia, quem sabe fosse uma HQ colecionável sabe? Daquelas raras em que pessoas se arriscam a comprar até mesmo no Mercado Livre. Seria interessante ser importante, mas talvez fosse uma HQ triste, apenas para mostrar que quadrinhos podem ser reais. Mas talvez seja para isso que eles funcionem, para acabar um pouco com a realidade, tão estranhamente assustadora e relativamente chata. Sim, chata, entendiante, possessiva e duradoura demais para o meu gosto. Prefiro coisas mais rápidas, com exceções de algumas coisas é claro. Mas não sei, talvez eu estivesse errada, e talvez esse tal planeta não fosse esse monstro do armário que eu tanto imaginei. Pedir a uma criança que te explique o mundo talvez seja lindo e verdadeiro, mas inaplicável aos dias de hoje. Pedir a um adulto é como sentir tiros de fuzil em sua orelha, baseando que ele só dirá tragédias Então, pedi a alguns idosos. A visão da vida só se chega por completo quando se viveu, então, não seriam drásticos demais e nem rasos demais. E me disseram tantas coisas bizarras que tive que tornar a pensar uma, duas vezes se aquilo era realmente necessário. Seria o mundo tudo aquilo? Acreditar parecia a unica opção diante dos fatos. Pessoas comuns, seja qual for sua definição disso, talvez levariam alguns dias para digerir tanta informação e, se alguma sanidade os atingisse na cabeça, de fato fugiriam de tudo, decidiriam que aquilo era coisa demais. Mas que merda, eu não consigo ser comum. "
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