Desde que mudei de cidade, acostumei-me a acordar cedo, por volta das seis da manhã e caminhar na areia da praia. Rio de Janeiro é outra cidade pela manhã, tão diferente que chega a parecer estranha. É calma, tranquila e o melhor lugar para se pensar. E eu partia cedo para minha caminhada e sempre encontrava um casal de velhinhos todo dia sentados em um banco próximo à barraca de água de coco que ainda se encontrava fechada. Ele estava sempre abraçado a ela e não conversavam, mas eu podia ver o sorriso de cada um. Ela ficava de olhos de fechados, mas era nítido que só fazia aquilo para apreciar ainda mais o momento, enquanto ele sempre me via e me cumprimentava com um aceno de cabeça, mas com toda calma para que ela não se incomodasse. Via aquela cena todos os dias, e de certa forma mexia comigo, porque me imaginara lá, com meu marido, daqui há cinquenta ou sessenta anos - no fundo, desejava chegar aquela idade apaixonada daquele jeito. Isso se repitiu por cerca de um ano e meio, até que certo dia, lá estava o senhor, mas não sua mulher. Ele tinha um olhar melancólico, mas sorria, como que conformado. Estranhei, afinal, em todo aquele tempo, isso nunca ocorrera. Resolvi perguntar.
Me aproximei dele, e pude ver que uma lágrima escorria calmamente de seus olhos, mas o sorriso ainda estava lá. Questionei porque ele estava sozinho, afinal nunca havia o visto sem ela. Mais uma lágrima escorreu. Ela havia morrido, sofria de uma doença terminal descoberta há dois anos, e desde então, ele resolvera realizar todos seus ultimos desejos. Eles haviam se conhecido naquela praia, há cinquenta anos, quando ele derrubou toda a água de coco que ela tinha. Eu ja me sentia mal por ter perguntado, mas questionei que, mesmo com tudo aquilo, ele ainda sorria, e como conseguia. Ele sorriu ainda mais, e com toda paciencia, disse que sabia que aquilo iria acontecer, e em todo aquele tempo, ele nunca se arrependeu em nenhum momento da escolha de passar toda a vida dele ao lado dela. Sorria por saber que fizera da vida dela algo muito feliz, e ela a dele. Ele me repetiu as ultimas palavras dela, que foram "Obrigada por fazer da minha vida um eterno amanhecer ensolarado".
Me aproximei dele, e pude ver que uma lágrima escorria calmamente de seus olhos, mas o sorriso ainda estava lá. Questionei porque ele estava sozinho, afinal nunca havia o visto sem ela. Mais uma lágrima escorreu. Ela havia morrido, sofria de uma doença terminal descoberta há dois anos, e desde então, ele resolvera realizar todos seus ultimos desejos. Eles haviam se conhecido naquela praia, há cinquenta anos, quando ele derrubou toda a água de coco que ela tinha. Eu ja me sentia mal por ter perguntado, mas questionei que, mesmo com tudo aquilo, ele ainda sorria, e como conseguia. Ele sorriu ainda mais, e com toda paciencia, disse que sabia que aquilo iria acontecer, e em todo aquele tempo, ele nunca se arrependeu em nenhum momento da escolha de passar toda a vida dele ao lado dela. Sorria por saber que fizera da vida dela algo muito feliz, e ela a dele. Ele me repetiu as ultimas palavras dela, que foram "Obrigada por fazer da minha vida um eterno amanhecer ensolarado".
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